Dimensões da estratificação social: status e classe no Brasil contemporâneo

Prêmio IESP/UERJ de melhor dissertação defendida em 2015 (Sociologia).

MACHADO, Weverthon B. Dimensões da estratificação social: status e classe no Brasil contemporâneo. Dissertação (Mestrado em Sociologia) - Instituto de Estudos Sociais e Políticos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015

Resumo:
Classe e status são os conceitos básicos adotados pela maioria das pesquisas sociológicas sobre desigualdades, estratificação e mobilidade social. Na formulação clássica de Max Weber, eles representam dimensões analiticamente distintas, ainda que correlacionadas, da estratificação, que podem influenciar diferentes esferas da vida social. Este trabalho explora a distinção entre as dimensões de classe e status no Brasil contemporâneo, dedicando especial atenção à questão da operacionalização desses conceitos de forma apropriada à pesquisa empírica. Mais especificamente, utilizo dados da Pesquisa das Dimensões Sociais das Desigualdades (PDSD) de 2008 para analisar, pela primeira vez, a estrutura ocupacional das amizades no Brasil e estimar, a partir dela, uma hierarquia ocupacional que interpreto como um indicador de status. Dessa forma, adoto a estratégia de construir uma escala de status que tem em seu centro a noção de distância social, em detrimento de atributos socioeconômicos ou avaliações subjetivas de prestígio. Essa escala de status está associada, sobretudo, com a educação, tanto no nível individual quanto no dos grupos ocupacionais. Ela também é altamente correlacionada a escalas de status mais tradicionais, mas apresenta discrepâncias compatíveis com sua interpretação substantiva. Além disso, a distinção entre trabalho manual e não manual parece determinante tanto na disposição dos grupos sociais ao longo da dimensão de status quanto na relação desta com as classes sociais. De forma geral, os resultados reforçam a ideia de que classe e status capturam diferentes aspectos da estrutura das desigualdades